A Thinking Machines Lab, startup de inteligencia artificial fundada pela ex-diretora de tecnologia da OpenAI, Mira Murati, lancou seu primeiro modelo, um sistema de pesos abertos chamado Inkling. E um marco genuino para um dos laboratorios novos mais observados e mais bem financiados do setor, um que levantou cerca de 2 bilhoes de dolares em uma avaliacao de 12 bilhoes de dolares antes de lancar um unico produto, e o modelo e uma expressao direta da aposta central da empresa, a de que uma IA que as organizacoes possam adaptar por conta propria vai vencer os modelos padronizados que os maiores laboratorios vendem hoje.
O Inkling e um modelo de mistura de especialistas (mixture-of-experts) com 975 bilhoes de parametros no total, dos quais cerca de 41 bilhoes ficam ativos em cada tarefa, um desenho que mantem o custo de computacao baixo ao mesmo tempo em que da ao modelo uma base de conhecimento muito ampla para recorrer. Ele foi treinado com 45 trilhoes de tokens que abrangem texto, imagem, audio e video, de modo que raciocina sobre todas essas entradas de forma nativa, em vez de acoplar sentidos extras a um modelo de texto. Duas de suas escolhas se destacam, ele da respostas calibradas que sinalizam a propria incerteza em vez de chutar com confianca, e permite ao usuario aumentar ou reduzir o esforco de raciocinio para trocar velocidade por qualidade.
O mais marcante e o enquadramento. A Thinking Machines afirma sem rodeios que o Inkling nao e o modelo mais poderoso disponivel hoje, seja fechado ou aberto. Em vez de perseguir o topo de um ranking, ele busca ser algo equilibrado, eficiente e, acima de tudo, adaptavel. Em tarefas de programacao, ele teria usado cerca de um terco dos tokens que um modelo comparavel precisa para o mesmo resultado, e em um estudo de caso com a gestora de investimentos Bridgewater alcancou 84,7 por cento de precisao em raciocinio financeiro por uma pequena fracao do custo. A proposta nao e ser o melhor chatbot de uso geral, e ser uma base solida que outros possam moldar.
E ai que o plano maior do laboratorio ganha foco. O Inkling foi feito para ser personalizado por meio do Tinker, a plataforma de ajuste fino da Thinking Machines, para que uma empresa possa adapta-lo aos proprios dados e fluxos de trabalho em vez de alugar um modelo congelado cujo comportamento e controlado em outro lugar. E a versao concreta de uma tese que Murati e sua equipe apresentaram neste mes, a de que o futuro da IA e distribuido e personalizavel, moldado pelas pessoas que o usam, e nao um punhado de modelos fechados gigantes que todos alugam nas mesmas condicoes.
A importancia disso esta no fato de o Inkling transformar um argumento na contramao em algo que da para baixar de verdade. A estrategia dominante na IA tem sido construir modelos de fronteira cada vez maiores e vender acesso a eles, e a maior parte da atencao ainda vai para quem registra as maiores notas em benchmarks. A Thinking Machines aposta que abertura e adaptabilidade, um modelo de pesos abertos somado as ferramentas para ajusta-lo, vao importar mais para muitas organizacoes do que a supremacia pura em um teste. Se essa aposta vai dar certo ainda nao esta provado, e, pela propria admissao da empresa, este nao e o modelo mais poderoso do mercado. Mas, vindo do time de Murati, com o dinheiro e os holofotes que ele atrai, e um dos desafios mais convincentes ate agora a ideia de que os vencedores da IA serao simplesmente aqueles que treinarem o maior cerebro.
