A Coreia do Sul revelou um dos maiores programas coordenados de investimento tecnologico que qualquer pais ja anunciou, um programa de uma decada que o presidente Lee batizou de "Three Mega Projects". Os tres pilares sao semicondutores, data centers de AI e o que o plano chama de AI fisica, que na pratica significa robos humanoides. E menos um fundo unico do que uma direcao nacional, alinhando o governo e as maiores empresas do pais por tras da mesma aposta.
A primeira coisa a ser honesta e quanto ao numero destacado, porque ele e genuinamente contestado. Diferentes veiculos dimensionam o programa de maneira distinta e chegam a totais muito diferentes, dos cerca de 1.350 trilhoes de wones da Bloomberg, aproximadamente 880 bilhoes de dolares, ao enquadramento da Al Jazeera de mais de 1 trilhao de dolares, ate relatos que citam ate 1,3 trilhao de dolares ao longo dos proximos dez anos. Em vez de escolher um disputado total geral, e mais util seguir os compromissos concretos por tras dele, que sao especificos o suficiente para serem avaliados.
A parte de memoria e a ancora. Samsung Electronics e SK Hynix, que juntas dominam o mercado mundial de memoria, vao investir cerca de 800 trilhoes de wones, aproximadamente 518 bilhoes de dolares, junto com fornecedores, para construir novas instalacoes de fabricacao de chips no sudoeste do pais. O foco esta exatamente na memoria pela qual a AI esta faminta: memoria de alta largura de banda HBM4 de proxima geracao e processamento em memoria, a tecnica de realizar a computacao dentro da propria memoria. O plano tambem prove o maior cluster de semicondutores do mundo em Gyeonggi. Isso surge no meio de uma escassez global de memoria que as mesmas empresas alertaram que pode se estender alem de 2027.
O segundo pilar e energia e computacao. Um consorcio de SK Group, GS Group e da empresa de internet Naver vai investir cerca de 550 trilhoes de wones para construir data centers de AI, com a meta de 8,4 gigawatts de capacidade ate 2029 e outros 10 gigawatts ate 2035. Esses sao numeros muito grandes em termos de energia, e refletem a realidade de que a restricao determinante para a AI e cada vez mais a eletricidade e a infraestrutura fisica, e nao os algoritmos.
O terceiro pilar e o mais ousado e o mais revelador. A Coreia quer aumentar sua fatia do mercado global de robos humanoides de cerca de 1 por cento no ano passado para 20 por cento, e o governo planeja ser ele proprio um comprador, adquirindo humanoides para educacao, defesa e resposta a desastres. O roteiro descreve robos com cerebros movidos pelos proprios chips de AI do pais, o que liga a ambicao robotica diretamente de volta aos pilares de memoria e silicio. Lidos em conjunto, os tres projetos compartilham uma aposta subjacente: a de que a proxima fase da AI sera definida menos por mais um salto na inteligencia dos modelos e mais pela pouco glamourosa camada fisica ao seu redor, a memoria para alimentar os modelos, a energia e os data centers para roda-los e os corpos para coloca-los para trabalhar. Se a Coreia conseguira atingir um aumento de vinte vezes em sua fatia do mercado de humanoides e uma questao em aberto, mas a direcao da aposta e uma declaracao clara sobre para onde uma grande economia industrial acredita que o valor esta se movendo.
