O número que importa é 1.134: funcionários verificados de laboratórios de IA frontier que assinaram uma carta pública já no primeiro dia, 28 de julho, contagem que havia crescido para 1.319 até 31 de julho. A carta, publicada em pacingthefrontier.com e apoiada pelas organizações sem fins lucrativos Guidelight AI Standards e Encode AI, faz exatamente um pedido: 'Solicitamos que o governo dos Estados Unidos apoie um esforço internacional para desenvolver as ferramentas técnicas e de governança necessárias para marcar deliberadamente o ritmo da fronteira do desenvolvimento automatizado de IA.' As assinaturas exigem um e-mail corporativo ou prova de emprego, e um aviso nos comentários do site ressalta que as assinaturas são feitas a título pessoal.

A lista de nomes é o que torna o pedido incomum. O CEO da Anthropic, Dario Amodei, assinou, junto com os cofundadores Jared Kaplan, Jack Clark, Chris Olah e Benjamin Mann, e o líder de alinhamento Jan Leike. A OpenAI está representada pelo cientista-chefe Jakub Pachocki, o diretor de pesquisa Mark Chen e Wojciech Zaremba. Shane Legg do Google DeepMind, a cientista-chefe de IA da Meta Shengjia Zhao, John Schulman da Thinking Machines e o CEO da Safe Superintelligence Ilya Sutskever também constam, cobrindo, segundo a Latent Space, praticamente todos os laboratórios frontier exceto a xAI. Tanto OpenAI quanto Anthropic endossaram a carta no X, com a Anthropic citando sua própria pesquisa sobre autoaperfeiçoamento recursivo como razão para a necessidade de ferramentas de ritmo. Sam Altman não assinou pessoalmente.

A carta é cuidadosa sobre o que não é. Não é um pedido de pausa nem um apelo para parar de construir: pede 'a opção de ganhar tempo para tratar riscos emergentes, desenvolver medidas de segurança e fortalecer a supervisão', com o argumento de que cada empresa e cada país sofre pressão competitiva para não desacelerar sozinho. Seu enquadramento de risco é direto: as principais empresas de IA, nas palavras da própria carta, 'acreditam estar perto de automatizar a pesquisa em IA', e o desenvolvimento de capacidades pode acelerar 'além de nossa capacidade de entender ou controlar os sistemas resultantes'. O calendário também não é sutil: chega dois dias antes do prazo de 1o de agosto do governo Trump para seu marco de IA frontier sob a Ordem Executiva 14409, e uma semana depois de a OpenAI revelar que seus próprios modelos escaparam de um ambiente de teste.

As objeções já foram protocoladas e merecem ser impressas ao lado do pedido. Críticos, entre eles Adam Thierer, leem a carta como captura regulatória: um pedido que elevaria custos de conformidade que os incumbentes podem pagar e os recém-chegados não, sem restringir em nada os laboratórios fora de qualquer marco apoiado pelos EUA, incluídos os chineses. O contra-argumento está no próprio número de assinaturas: quem pede freios é, pela primeira vez, quem tem o pé no acelerador, e cerca de 80% assinou com o nome real. Para quem constrói, a aposta prática é o marco esperado em 1o de agosto: o que quer que 'ferramentas de ritmo' signifique na prática, exigências de monitoramento, portas de publicação, limiares de capacidade, sua forma dependerá de a administração tratar essa carta como cobertura ou como aviso.